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quinta-feira, 19 de março de 2026

Marimanta: o espírito travesso das águas



Entre os muitos seres encantados que habitam o imaginário popular, existe uma figura curiosa, pouco conhecida em comparação a outros… mas que carrega uma presença marcante: a marimanta.

Diferente das sereias mais conhecidas ou dos grandes seres do oceano, a marimanta está mais ligada às águas próximas, aos rios, lagoas e regiões costeiras, especialmente dentro do folclore português e galego.

E, como muitos espíritos das águas… ela não é exatamente o que parece à primeira vista.


O que é a marimanta?


A marimanta é frequentemente descrita como uma entidade aquática com comportamento imprevisível.

Em algumas regiões, ela aparece como uma criatura com traços humanos misturados com características aquáticas. Em outras, sua forma é mais indefinida, quase como uma presença que se manifesta de maneiras diferentes dependendo de quem a vê. E talvez isso já diga muito sobre ela. Porque a marimanta não é apenas uma criatura… ela é uma experiência.

Há relatos de pessoas que dizem ter visto algo se movendo nas águas, ouvido sons estranhos à noite ou sentido uma presença observando à beira de rios. Nem sempre dá para dizer com certeza o que era.

Mas, em algumas dessas histórias… o nome que aparece é sempre o mesmo.


Travessuras, sustos e pequenos encontros


Ao contrário de entidades mais sombrias, a marimanta não costuma ser associada ao mal. Mas também não é exatamente “boazinha”. Ela é conhecida por seu comportamento travesso.

Entre os relatos mais comuns, estão:

  • assustar pessoas que se aproximam da água à noite

  • puxar levemente quem entra no rio, mais para provocar do que para ferir

  • fazer barulhos ou movimentos inesperados

  • confundir viajantes ou pescadores

É aquele tipo de presença que gosta de brincar… mas nem sempre lembra que humanos se assustam fácil.


Aparência: forma definida ou ilusão?


A aparência da marimanta varia bastante de acordo com a região e com quem conta a história.

Em algumas descrições, ela tem traços mais humanos, com pele úmida, cabelos escuros e longos, e olhos que parecem refletir a água.

Em outras, é vista quase como uma sombra, uma forma rápida que surge e desaparece antes que alguém consiga entender.

E existe também a possibilidade de que… ela não tenha uma forma fixa.

Assim como outros seres ligados à água, a marimanta pode se manifestar de maneiras diferentes, às vezes mais visível, às vezes quase imperceptível.


Um espírito das águas, não um monstro


Uma coisa importante sobre a marimanta é entender que ela não deve ser vista como um “monstro”.

Ela é, antes de tudo, um espírito das águas. E como muitos seres desse tipo, seu comportamento reflete o ambiente em que vive: fluido, imprevisível, sensível às energias ao redor.

Ela pode assustar, sim. Mas também pode simplesmente observar… ou brincar. Tudo depende do momento, do lugar… e da energia de quem se aproxima.


Um aviso silencioso


Muitas histórias envolvendo a marimanta vêm acompanhadas de um certo “alerta”. Não no sentido de medo… mas de respeito.

As águas, sejam rios, lagos ou mar, sempre foram vistas como portais de energia, lugares onde o mundo físico e o espiritual se tocam com mais facilidade. E a marimanta parece ser uma dessas guardiãs informais. Ela lembra, de forma leve (às vezes nem tão leve assim), que esses espaços não são apenas nossos.


Entre o susto e o encanto


No fim, a marimanta representa algo muito presente no folclore: aquele equilíbrio entre o medo e o fascínio. Ela não está ali para causar dano… mas também não está ali para ser ignorada. E talvez seja por isso que suas histórias continuam sendo contadas sempre com um sorriso meio nervoso, como quem não sabe se ri… ou se olha para trás antes de ir embora. ©

sexta-feira, 13 de março de 2020

Curupira

Imagem de www.todamateria.com.br
O curupira é descrito como um anão, de cabelos vermelhos, pele verde, e pés voltados para trás e calcanhares voltados para frente. Protetor da floresta e dos animais. Persegue caçadores e, às vezes, pessoas comuns apenas por diversão. Atrai suas vítimas, gritando de forma estridente, assobiando ou apenas imitando a voz humana e as chamando. Quem quer que o siga, acaba se perdendo, e após ser tomado por um pavor súbito, se tiver o azar de dar de cara com este ser, pode levar uma surra violenta.
         Para aplacar a fúria do curupira, os índios costumavam deixar algumas oferendas para ele como penas de aves e flechas. No entanto, o que o curupira realmente aprecia é fumo e pinga. Seringueiros e roceiros deixam esses presentes nas trilhas que atravessam, de modo a agradá-los ou pelo menos distraí-lo. Para fugir dele, caso ele te encontre no meio da floresta, é necessário realizar um nó em um pedaço de cipó. 
        O curupira é um habitante nato das florestas, então, para encontrá-lo, é necessário adentrar na mata densa. Sendo assim, esse ser evita estar nos locais com grande presença humana, somente indo atrás de humanos quando eles entram na floresta para caçar ou derrubar árvores.
        




sexta-feira, 6 de março de 2020

Caipora

Imagem de www.todamateria.com.br
Caipora tem origem da palavra tupi-guarani “caapora” que quer dizer “habitante do mato”. É descrita como uma índia anã, com orelhas pontudas e cabelos vermelhos. Em variações de sua lenda, é um ser masculino, com pelos verdes no corpo e pés voltados para trás. 
       Protetora dos animais e da floresta, pode confundir os caçadores e cães de caça, imitando sons dos animais e os atraindo, de forma a fazê-los se perderem. Também pode espancá-los e até matá-los. Se, no entanto, receber alguma oferenda, pode permitir que os caçadores cacem em sua mata, contanto que eles não perturbem as fêmeas que estiverem prenha ou não maltratem os animais, caso contrário, ela desconsidera as oferendas e os ataca da mesma forma. 
           Nos dias santos e às quintas-feiras, acredita-se que a força da caipora, aumente, quando ela se torna mais perigosa. 
           Os índios acreditavam que Caipora temesse a claridade, por isso protegiam-se dele andando com tições acesos durante a noite. Caipora é considerado em algumas partes do Brasil como canibal, ou seja dizem que come quem vê caçando, até mesmo um pequenino inseto.
      Pode-se atraí-la, assobiando, e para apaziguar ela, basta lhe oferecer fumo. Assim, reza o costume que, antes de sair numa noite de quinta-feira para caçar no mato, deve-se deixar fumo de corda no tronco de uma árvore e dizer: "Toma, Caipora, deixa eu ir embora".


Giovanna Lynn:

Adepta da Magia Natural, sou eclética como bruxa e faço de tudo um pouco. Livros e música são meu mundo.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

Kiyohime, a mulher serpente

Kiyohime, ou simplesmente Kiyo, é uma personagem do folclore japonês, que, por não ter tido seu amor correspondido, se transformou num monstro, com o corpo sendo metade mulher metade serpente. O conto japonês Anchin e Kiyohime inspirou gerações de poetas, e é uma das histórias mais encenadas no Japão. O que a Lenda ensina é que, ao se transformar em um demônio-serpente, Kiyohime separa o ódio de um amor não correspondido.
         A Lenda de Anchin e Kiyohime apresenta Kiyohime como uma donzela que se apaixonou por Anchin, que é um monge budista irmão do imperador Suzyaku. Quando ela foi confessar seu amor, este não foi retribuído. Tentando escapar de seus avanços, Anchin pede ao sacerdote de um santuário Kumano para ajuda-lo. O sacerdote então prende Kiyohime em uma armadilha kana-shibari, dando tempo ao monge para fugir. Para escapar da amante, o monge refugiou-se no templo Dōjōji - um templo budista na província de Kishu, hoje Wakayama. Kiyohime, então, acaba enlouquecendo e sua fúria a transforma num terrível e vingativo monstro, com o corpo sendo metade mulher metade serpente.
        Para esconder Anchin, os monges do templo, abaixaram um enorme e pesado sino, ocultando Anchin em seu interior.
      Chegando no templo Dōjōji, a serpente subiu a escadaria e encontrou o sino. Anchin rezava desesperadamente. Enfurecida, ela se enrolou no grande sino, jorrando chamas de sua enorme boca como um dragão serpente, e matando Anchin.
     Os monges de Dōjōji fizeram o enterro do jovem Anchin. Após a tragédia, encomendaram a fundição de um novo sino e determinaram que nenhuma mulher poderia se aproximar novamente de sua plataforma.
     O tempo passou, e o novo sino chegou ao Templo Dōjōji. Foi preparada uma grande festa para instalação do sino com a participação da comunidade local, porém a cerimônia de entronização estava proibida para mulheres. Entretanto, durante a cerimônia, uma encantadora jovem finamente vestida aproximou-se, e se atirou-se tocando o sino e, para espanto de todos reunidos, desapareceu sem deixar vestígios, como se engolida pelo gongo.
        A partir desse acontecimento, o sino ao ser tocado, não soava como os sinos dos templos, mas gemia como uma voz terrível. E cada vez que ele tocava, desastres aconteciam. Até finalmente, por não mais suportarem, o sino foi levado para baixo, e enterrado.
           Ele permaneceu enterrado durante 200 anos, até que Toyotomi Hideyoshi ordenou que fosse cavado e levado para o santuário Myomanji, onde as cinzas de “Sakyamuni Buddha” foram consagradas pelo Imperador Asoka. E lá, dizem que o som da “Sutra de Lótus” incessantemente entoada pelos monges do templo, finalmente trouxe o descanso para as almas atormentadas de Kiyohime e Anchin.
           Com o tempo, o som do sino adquiriu uma beleza irresistível, tingida com sabedoria e consciência de dukkha (o sofrimento necessário à mudança).
          Ainda hoje, o sino permanece em Myomanji, como um tesouro do templo, junto com as cinzas sagradas de Sakyamuni.
          Dizem que, muito tempo depois, Anchin e Kiyohime apareceram abraçados e felizes em sonhos dos monges do Templo Dodoji, eles finalmente encontraram seu destino nos caminhos da Sutra de Lótus.


quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

Comadre Fulozinha



Comadre Fulozinha é uma criatura do folclore brasileiro. Seu nome deriva provavelmente da pronúncia regional de "Comadre Florzinha" ou "Comadre Fulozinha" e ela é muitas vezes confundida com a Caipora, sendo ambas consideradas uma variação da mesma lenda. Em alguns lugares, acredita-se que ambas sejam o mesmo ser.

             A Comadre pode assustar quem esteja andando a cavalo na mata sem lhe deixar uma oferenda. Ela amarra o rabo e a crina do animal de tal forma que ninguém consegue desatar os nós. A ela também são atribuídos "causos" semelhantes contados pelos anciãos das regiões rurais, onde os rabos dos cavalos no estábulo amanhecem amarrados da mesma maneira. Em algumas regiões também é conhecida como uma entidade que protege a floresta,  daí sua semelhança com a Caipora. Segundo alguns, no entanto, ela não gosta de ser confundida com esta, dando em quem as confunde uma surra com urtiga, uma planta que causa muita coceira, ou com seus longos cabelos. Até hoje são comuns relatos de pessoas que presenciam suas aparições nas zonas de floresta.

           No culto da Jurema na Paraíba ela é considerada uma entidade divina e tem caráter ambíguo, agindo para o mal e para o bem.
 
          Segundo a lenda, Comadre Fulozinha é o espírito de uma cabocla de longos cabelos negros, que lhe cobrem todo o corpo. Ágil, vive na mata defendendo animais e plantas contra as investidas dos destruidores da natureza. Gosta de receber presentes, principalmente papa de aveia, confeitos, fumo e mel. Quando agradada, logo faz que a caça apareça para quem lhe ofereceu o agrado e permite que este consiga sair da mata, alguns idosos afirmam conversar com ela.

          Tem personalidade zombeteira, algumas vezes malvada, outras vezes prestimosa. Diz-se que corta violentamente com seu cabelo aqueles que a mata adentram sem levar uma quantidade de fumo como oferenda e também lhes enrola a língua. Furtiva, seu assovio se torna mais baixo quanto mais próxima ela estiver, parecendo estar distante. Ela também gosta de fazer tranças e nós na crina e no rabo dos cavalos. Somente ela os consegue desfazer, se for agradada com fumo e mel.

       Outros contam que a Comadre Fulozinha era uma criança que se perdeu na mata quando ainda era pequena e morreu procurando o caminho de volta para casa. Seu espírito passou a vagar pela floresta em busca do caminho de volta.

terça-feira, 28 de janeiro de 2020

Boitatá

Foram encontrados relatos do Boitatá em cartas do padre jesuíta José de Anchieta, em 1560, como uma lenda indígena que descreve uma cobra de fogo de olhos enormes ou flamejantes.
       Para os índios ele é "Mbaê-Tata", ou Coisa de Fogo, e mora no fundo dos rios. A narrativa varia muito de região para região. Único sobrevivente de um grande dilúvio que cobriu a terra, o Boitatá escapou entrando num buraco e lá ficando, no escuro, motivo pelo qual seus olhos cresceram.
        Outros dizem que é a alma de um malvado, que vai incendiando o mato à medida que passa. Por outro lado, em certos locais ele protege a floresta dos incêndios. Algumas vezes persegue os viajantes noturnos, ou é visto como um facho cintilante de fogo correndo de um lado para outro da mata. Tem vários outros nomes: Cumadre Fulôzinha, Baitatá, Batatá, Bitatá, Batatão e Biatatá.
         O Boitatá pode ser uma explicação mágica para o fogo-fátuo. A versão que predominou foi a do Rio Grande do Sul. Nessa Região, reza a Lenda que houve um período de noite sem fim nas Matas. Além da escuridão, houve uma enorme enchente causada por chuvas torrenciais. Assustados, os animais correram para um ponto mais elevado a fim de se protegerem. A Boiguaçu, uma Cobra que vivia numa gruta escura, acorda com a inundação e, faminta, decide sair em busca de alimento, com a vantagem de ser o único bicho acostumado a enxergar na escuridão. Decide comer a parte que mais lhe apetecia, os olhos dos animais e de tanto comê-los vai ficando toda luminosa, cheia de luz de todos esses olhos. O seu corpo transforma-se em ajuntadas pupilas rutilantes, bola de chamas, clarão vivo, Boitatá, Cobra de fogo. Ao mesmo tempo a alimentação farta deixa a Boiguaçu muito fraca. Ela morre e reaparece nas Matas serpenteando luminosa. Quem encontra esse ser fantástico nas campinas pode ficar cego, morrer e até enlouquecer. Assim, para evitar o desastre os Homens acreditam que têm que ficar parados, sem respirar e de olhos bem fechados. A tentativa de escapar da Cobra apresenta riscos porque o ente pode imaginar que a fuga é de alguém que ateou fogo nas Matas. No Rio Grande do Sul, acredita-se que o "Boitatá" é o protetor das Matas e das campinas. A verdade é que a ideia de uma cobra luminosa, protetora de campinas e dos campos aparece frequentemente na Literatura, sobretudo nas narrativas do Rio Grande do Sul.








domingo, 3 de março de 2019

Apsaras

As apsaras (do sânscrito apsarah, singular apsarah; interpretado como "essência das águas", "movendo-se nas águas", ou "movendo-se entre as águas") são divindades celestiais femininas da mitologia indiana, aproximadamente equivalente às ninfas da mitologia grega. Vivem no Svarga, o paraíso de Indra. São as amantes dos gandarvas e as dançarinas dos deuses. Originalmente, podem ter simbolizado as nuvens ou as brumas arrastadas pelo sol. Sua líder era Ursavi, que se tornou amante do rei Pururavas.
         As apsaras podem assumir qualquer forma à vontade e frequentemente aparecem como pássaros aquáticos. Os guerreiros que morrem em batalha são conduzidos por elas, em carros coloridos e brilhantes, ao paraíso de Indra - um papel semelhante ao das valquírias na mitologia nórdica.
       A ancestralidade dessas entidades varia conforme as versões. Elas e os gandarvas saíram do corpo desmembrado de Prajapati, ou nasceram do Batimento do Oceano depois do surgimento da parijata (Erythrina indica, também conhecida como "brasileiro Ho", pelas folhas verde-amarelas), sua árvore favorita e que atende desejos. Ou ainda, brotaram de Bhasi, a "mãe das aves", ou de Vac.


Os deuses frequentemente enviam apsaras para seduzir rishis e ascetas e as apsaras eram então, acusadas de causar a loucura. Suas outras características são a promiscuidade, falta de sentimentos maternais e o abandono de seus filhos terrenos quando desejam retornar a sua morada celestial.
       O atharva veda inclui um feitiço para ser usado contra inimigos sobrenaturais, particularmente apsaras, cujos nomes, representam certos odores. Entre estas estão Guggulu (bdelio), Nalardi (Nardo), Pramandani (uma planta de aroma picante) e Auksagandhi (com cheiro de boi). Mas o aroma da terra-mãe, do qual apsaras e gandarvas compartilham, era bem considerado.
        Tanto os gandarvas quanto as apsaras "ficam" em árvores das floresta, ou moram nelas, especialmente nas figueiras nyagrodha (ficus indica), ashvatta (ficus religiosa, a figueira sagrada), e udumbara (ficus glomerata), nas quais pode-se ouvir o som de seus cimbalos e alaúdes. Elas são procuradas para dispensar seus favores e procissões de casamento e trazer sorte em jogos de dados.
        O budismo popular adotou as apsaras e o Mahavastu diz que elas usam colares de flores e muitas joias. São descritas, também, em vários dos contos Jataka como "de pés de pomba" (Kakuta padiniyo) e serviçais de Sakka, isto é, Indra.
        O Satapatha Brahmana diz que Varuna é servido por Gandarvas e Soma por Apsaras. As últimas são estreitamente associadas com as águas e a fertilidade e foram mais significativas na literatura mais antiga do que na posterior.



Gandarvas

O Atharva Veda descreve os Gandarvas (do sânscrito gandharva) como seres peludos, meio animais, associados à água, mas com um forte cheiro de terra. Às vezes, são representados com a metade superior do corpo humano, e a metade inferior de ave, e com asas nas costas. Outras vezes, como homens belos, ainda que afeminados.
       No Mahabharata, diz que os gandarvas são os músicos e as apsaras as dançarinas dos deuses. São, coletivamente, vistos como seres radiantes que cantam docemente nas montanhas, mas podem ser perigosos, principalmente no crepúsculo, quando — junto com os yakshas e rakshasas — perambulam pela floresta e assombram as lagoas. Mas grandes poderes de cura também lhe são atribuídos, bem como a capacidade de causar insanidade.
        Quando Varuna, seu senhor, tornou-se impotente, eles restauraram sua virilidade com um afrodisíaco.
        Em uma seção do Agni Purana sobre o cuidado de cavalos, o cavalo, em uma encarnação anterior, é dito ser o filho de um chefe gandarva.
        No folclore budista, os gandarvas são servidores dos devas, que vivem no Reino Caturmaharajika. Tanto no Budismo quanto no Hinduísmo, eles estão relacionados ao casamento, ou antes, com a concepção, como um ser em busca de renascimento.
      A associação hindu dos gandarvas com o casamento e a proteção de virgens pode ter-se originado da proteção de Surya pelo gandarva védico, quando ela estava para se tornar noiva do sol. Diz-se que eles amam as mulheres e estão sempre a pensar nelas. Entre os vários tipos de casamentos a que o código de Manu se refere está o "casamento gandarva", que não depende de consentimento dos pais, mas apenas de acordo e afeição mútua.
       Os gandarvas e as apsaras podem, também, causar loucura; oferendas propiciatórias devem, portanto, ser feitas a eles. Os cavacos para o fogo sacrificial devem de madeira de nyagrodha (ficus indica), udumbara (ficus glomerata), plaksha ou ashvatta (ficus religiosa, a figueira sagrada), pois estas árvores são a morada destes seres. Pode-se proteger deles com amuletos.
        Nos hinos de Rigveda, o gandarva é um indivíduo único, que vive na atmosfera, chamada o gandarva celestial (divya gandharva) e vivavasu. É o guardião do soma celestial, ou seja, a chuva, ou pode representar a própria nuvem de chuva, é descrito como iluminando os dois mundos, céu e terra, que são chamados seus pais. Pode ter sido um Deus tribal indo-ariano ou ter uma origem ainda mais antiga.
     No sacrifício vajapeya, o gandarva é um ser divino que purifica pensamentos. Em outra passagem, Agni é chamado o gandarva, assim como candramas (a lua), prajapati e vayu. Morte, também é chamada de gandarva.

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Selkies



⚠️ Conteúdo sensível: Este post contém temas como magia intensa, elementos sombrios e referências simbólicas à morte ou transformação espiritual.


Selkies (também conhecidos como silkies ou selchies) são criaturas mitológicas encontradas no folclore das Ilhas Faroé, Islândia, Irlanda e Escócia. A palavra deriva do escocês primitivo selich, (do inglês antigo seolh significando selo).
    Os selkies são ditos viverem como focas no mar, mas mudam a sua pele para se tornar humanos na terra.
    A origem mitológica da selkie não é muito clara. As lendas sobre elas surgiram nas ilhas Orkney e Shetland, no extremo norte da Escócia.
    Quando os contos antigos estavam sendo transcritos para o papel, nos séculos XVIII e XIX, algumas das velhas tradições sugeria que selkies eram como as fadas, anjos caídos, condenados a viver como animais até o dia do Juízo Bíblico. Outros insistiram que selkies eram seres humanos, uma vez que, por alguma contravenção, foram condenados a assumir a forma de uma foca e viver o resto de seus dias no mar. A terceira possibilidade discutida pelos contadores de histórias de Orkney, era que as selkies eram na verdade, as almas daqueles que se afogaram. Uma noite a cada ano essas almas perdidas eram autorizadas a deixar o mar e voltar à sua forma humana original.
    Os selkies vivem como focas no mar, mas possuem a capacidade de se tornarem humanos ao retirar suas peles de foca. Do mesmo modo, basta vestirem novamente sua pele de foca para retornar à sua forma original. Selkies quando estão na forma humana, são excepcionalmente belos e encantadores. Gostam de ir à praia para dançar, sendo nessas ocasiões onde geralmente são capturados.
    Diz-se que ao esconder a pele de foca, quem a tem passa a exercer domínio sobre a selkie, que não pode retornar ao mar pois não consegue se transformar novamente sem a pele. As Selkies só podem fazer contato com um ser humano, por um curto período de tempo e depois, devem retornar ao mar. E não podem fazer contato novamente com um ser humano antes de decorrido 7 anos, a menos que o humano lhe roube a sua pele de foca e a esconda ou queime-a.
    De acordo com a lenda, a selkie, quando dominada, convive bem com os humanos. Porém, caso consiga recuperar sua pele, ela não hesitará em deixar tudo para trás e voltar ao mar. Geralmente, a selkie evita rever seu marido humano, mas às vezes é possível vê-la brincando com seus filhos na praia.
    A lenda da Selkie também é contada no País de Gales, mas em uma forma ligeiramente diferente. Para os galeses, as (os) Selkies são seres humanos que regressaram ao mar. Para eles, o selkie Dylan (Dylan Ail Don), o primogênito de Arianrhod (uma importante deusa mitológica que faz parte da mitologia celta), foi diversas vezes um tritão ou “espírito do mar”, que em algumas versões da história, fugiu para o mar logo após o nascimento.
    Existem também Selkies do sexo masculino, que também são descritos como sendo muito bonitos em sua forma humana, e têm grande poder de sedução sobre as mulheres humanas. Eles procuram aquelas que estão insatisfeitas com sua vida romântica. Isto inclui mulheres casadas esperando por seus maridos pescadores. Se uma mulher quer fazer contato com um macho Selkie, ela tem que ir para uma praia e derramar sete lágrimas no mar.

A vingança da Selkie




Uma das histórias mais famosas sobre Selkies existe na Ilha de Mikladalur localizada nas Ilhas Faroé, onde um pescador observava as Selkies dançarem na praia, e um certo dia, ele esconde a pele de uma delas, e a faz de sua esposa. O pescador guarda a pele de foca em um baú de coisas íntimas. Um dia ele vai pescar, e esquece a chave em casa, até que a Selkie descobre, e assim que vê sua pele, se lembra do passado e em seguida foge para sua casa, onde reencontra sua família selkie.
O pescador resolve a seguir e encontra o marido da selkie e seus dois filhos em uma caverna, e os mata como punição, assim como outras focas que estavam em seu caminho. Ao descobrir, a Selkie jura vingança contra todos os homens da ilha de Mikladalur. Depois disso, muitos homens foram mortos afogados, jogados de penhascos. As mortes continuariam até que o povo selkie ligasse os braços de todos eles circulando a ilha. Em homenagem a mulher Selkie, uma estátua foi construida na pedra onde ela era avistada, e ficou conhecida como A Mulher Foca de Mikladalur.

Podemos ver exemplos de histórias de seres parecidos com as selkies em várias culturas. No Brasil, por exemplo, temos o boto-cor-de-rosa que se transforma em humano para seduzir jovens donzelas e depois retorna às águas.

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Kodama, espírito da floresta

Kodama ou ko-dama é um youkai do folclore japonês. É um espírito que habita nas árvores, geralmente nas de maior idade ou tamanho, sendo por isso fortes, poderosos e bastante velhos. A maioria dos Kodama é pacífica e serena, partilhando a sua sabedoria com aqueles com os quais são capazes de se comunicar.

Os kodama conseguem imitar vozes humanas, criando assim ecos em uma floresta — a palavra kodama também pode significar eco.

Apesar de pacíficos, os kodama reagirão agressivamente contra aquele desrespeitar o meio ambiente: acredita-se que quem derrubar uma árvore com kodama amaldiçoará toda a sua aldeia. Quando se acredita que uma árvore possui um kodama, é comum colocar à sua volta uma corda sagrada (shimenawa) para protegê-lo.



quarta-feira, 26 de março de 2014

Yuki-Onna, o espírito da neve

A Yuki-onna,associada ao inverno e tempestades de neve,é considerada o espírito da neve personificada,mas em outras lendas dizem que ela é o espírito de alguém que morreu enterrado na neve,de frio.Algumas pessoas acreditam que ela seja uma princesa da lua,que desceu para investigar a Terra.Ela então descobriu que não conseguia voltar para a lua.Dizem que essa princesa ajuda pessoas perdidas na neve.
A Yuki-onna é uma mulher alta,magra e surpreendentemente bonita.Ela é muito pálida.Em algumas histórias ela veste um kimono branco,mas em outras,ela simplesmente não veste nada.
Até alguns anos atrás,se acreditava que ela era má.No entanto,acredita-se atualmente que ela protege quem se perde na neve.Na Prefeitura de Iwate,dizem que ela aparece na Véspera do Ano Novo.

Em muitas histórias,dizem que ela aparece para os viajantes e em seguida os congela com seu hálito de gelo.Em alguns contos,ela se manifesta carregando uma criança.

No entanto,em algumas lendas,a Yuki-onna é descrita como uma figura bem pior,dizendo que ela invade a casa das pessoas para mata-las enquanto dormem (em algumas versões,dizem que ela tem que ser convidada primeiro,similar a um Vampiro).
Apesar disso,como a neve que ela representa,ela tem um lado bom.Um mito diz que ela deixou um garoto escapar um dia devido a sua generosidade,mas ela fez o garoto prometer nunca mencionar isso.Anos depois,ele fala isso para sua esposa,esta revela que é ninguém menos do que a Yuki-onna,que então vai embora sem dizer uma palavra.Em uma lenda similar,após um homem descobrir que sua esposa era a Yuki-onna,esta derrete,assim como a neve.

Ame-Onna, o espírito da chuva

A Ame-onna é uma entidade feminina que aparece durante as tempestades e as noites de chuva, e as histórias quanto à sua origem e às suas aparições variam de região para região.

Para alguns, a Ame-onna seria o próprio espírito da chuva, sendo assim uma yousei*. Na China, ela é chamada de Yao Ji, a Deusa da Montanha Wushan.

Uma antiga lenda chinesa conta que Yao Ji era a vigésima terceira filha da Rainha-Mãe do Oeste. Ela era inteligente, bondosa, de temperamento ativo. Não conseguindo mais suportar a pacata vida no palácio celestial, ela o deixou, voando pelos céus. Ela voou sobre milhares de montanhas e viu muitas cenas maravilhosas do mundo dos humanos. Mas quando ela chegou às neblinas que encobriam a Montanha Wushan, ela viu doze dragões causando problemas às pessoas e viu Yu, O Grande, tentando controlar as águas do Rio Amarelo, que estava inundando a região. Admirada pela determinação de Yu, Yao Jin decidiu ajudá-lo.

Do topo de uma nuvem, ela apontou para os dragões. Trovões começaram a ressoar, causando o tremor da terra e das montanhas. Quanto tudo se acalmou, os corpos dos doze dragões haviam se transformado em doze enormes montanhas. Yu subiu ou topo da Montanha Wushan para expressar sua gratidão para com Yao Ji, mas tudo o que ele viu foi uma singela pedra delgada, erguida em direção aos céus. A rocha ficou conhecida como o “Pico da Deusa”, e, desde então, contam que Yao Ji aparece pela manhã como nuvem e à noite como chuva naquela Montanha.
No Japão, dizem que a Ame-onna é uma yuurei**, sendo o espírito de uma mulher que perdeu seu filho em uma noite de chuva. Outros contam que é o espírito de uma mulher que seqüestra as crianças durante a noite.


Fonte:
http://youkai-soul.blogspot.com.br/2012/01/espirito-da-chuva-ame-onna.html

segunda-feira, 25 de março de 2013

Harpias


Na mitologia grega, as harpias ("arrebatadora", "rapinante", do grego ἅρπυια, harpūia, por intermédio do latim harpȳia, relacionado ao verbo grego ἅρπάζειν e ao latino rapĕre, ambos significando "arrebatar") eram filhas de Taumas e Electra. A princípio eram duas, Aelo ("a borrasca", "a impetuosa") e Ocípite ("a rápida no voo") e mais tarde seu número foi aumentado para três com Celeno ("a escura").

Segundo R.D. Barnett  as harpias foram adaptadas de ornamentos em caldeirões de bronze de Urartu:
Eles fizeram tal impressão na Grécia que parecem ter dado origem ao tipo da sirena na arte grega arcaica. Como parecem desses nobres recipientes de cozinha, aparentemente deram origem ao conhecido mito grego de Fíneas e as harpias e assim foram representadas na arte grega. O próprio nome de Fíneas, a vítima de suas perseguições, pode não ser mais que uma corrupção do nome de um rei de Urartu, Ishpuinish ou Ushpina (cerca de 820 a.C.), talvez associado pelos mercadores gregos com esses caldeirões

Representações 

 A iconografia ora as mostra ávidas de sangue e de sexo, a aguardar o momento de beber o sangue do herói que tombou na refrega, ora como sedutoras mulheres aladas, transportando carinhosamente o corpo de um jovem, não necessariamente para o Reino de Hades, mas para alguma espécie de paraíso, onde possam mais tarde usufruir do amor do raptado. Na chamada Tumba de Xanto na Lícia, as harpias, na forma de aves com cabeça de mulher, guardam o túmulo para arrebatar o morto. Eram frequentemente esculpidas sobre os sepulcros com a finalidade de raptar particularmente os mortos mais jovens. Não é fácil, por vezes, a não ser nas intenções, distingui-las das sirenas, enquanto estas não surgiram nas pinturas com os pés palmitiformes. Como os demais deuses alados e raptores, as três damas-aves aladas têm por objetivo a união íntima com aqueles que arrebatavam.

Mais tarde, sobretudo à época clássica, as harpias transformaram-se em monstros horríveis, com rosto de mulher idosa, corpo semelhante ao do abutre, garras aduncas e seios pendentes. Pousavam nas iguarias dos banquetes e espalhavam um cheiro tão infecto que ninguém mais podia comer.
Dizia-se que habitavam as ilhas Estrófades, no mar Egeu. Muito mais tarde, o poeta romano Virgílio, na Eneida (6.289) colocou-as no vestíbulo do Inferno, junto com outos monstros. 

Mitos 


  • Sobre Fineu, o adivinho, rei da Trácia, pesava terrível maldição por abusar de seus dons divinatórios - segundo alguns, por revelar aos homens as intenções dos deuses, segundo outros por indicar a Frixo como chegar à Cólquida e a seus filhos como retornar à Hélade. Tudo quanto se colocasse à frente do mesmo as harpias o carregavam, principalmente em se tratando de iguarias. O que não podiam levar, sujavam com seus excrementos. Quando os argonautas passaram pela Trácia, o soberano pediu-lhes que o libertassem dos monstros. Zetes e Cálais, filhos do vento Bóreas, perseguiram-nas. O destino determinara que as harpias só pereceriam se agarradas pelos filhos de Bóreas, mas estes perderiam a vida se não as alcançassem. Perseguidas sem trégua, a primeira, Aelo, caiu em um riacho do Peloponeso. A segunda, Ocípite, conseguiu chegar às ilhas Equínades. Íris ou, segundo outros, Hermes postou-se diante dos perseguidores e proibiu-lhes matar as harpias porque eram "servidoras de Zeus". Em troca da vida, prometeram não mais atormentar Fineu, refugiando-se numa caverna da ilha de Creta.

  • Segundo fontes tardias, as harpias uniram-se ao vento Zéfiro e geraram quatro cavalos: os dois de Aquiles, Xanto e Bálio, "mais rápidos que o vento" e os dois dos Dióscuros, Flógeo e Hárpago. 

    Simbolismo

     Segundo Jean Chevalier e A. Gheerbrant, as harpias são parcelas diabólicas das energias cósmicas, as abastecedoras do Hades com mortes súbitas. Traduzem as paixões desregradas; as torturas obsedantes, carreadas pelos desejos e o remorso que se segue à satisfação das mesmas. Diferem das Erínias na medida em que estas representam a punição e aquelas figuram o agenciamento dos vícios e as provocações da maldade. O único vento que poderá afugentá-las é o sopro do espírito


     

Hipocampo

O hipocampo é um ser com a forma de cavalo na metade anterior e de peixe, dragão ou serpente na posterior.
Na mitologia grega, o hipocampo servia de companhia e montaria às nereidas e de animal de tração ao carro de Poseidon. Seres com características semelhantes aparecem na arte de outras culturas, inclusive a Mesopotâmia e a Índia. Também foi representado em bronzes, prataria e pinturas da Antiguidade romana ao período barroco.
Na heráldica européia, o hipocampo é representado com cabeça e torso de cavalo, mas com uma barbatana de peixe no lugar da crina, pés com membranas no lugar de cascos, cauda de peixe e, às vezes, asas de peixe-voador.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Leucotéia e Palêmon


Ino, filha de cadmo e esposa de Atamas, fugindo de seu furioso marido, com o filhinho Melicertes nos braços, caiu de um rochedo no mar. Os deuses, compadecidos, transformaram-na numa deusa marinha,com o nome de Leucotéia, e ao filho em um deus, com o nome de Palêmon. Ambos tinham o poder de salvar os homens de naufrágios e eram invocados pelos marinheiros. Palêmon geralmente era representado cavalgando um golfinho. Os jogos Ístmicos eram celebrados em sua honra. Era chamado Portuno pelos romanos, e acreditava-se que governava os portos e as costas.

Milton faz alusão a essas divindades, na última canção do "Comus":

Atende, ninfa, o ardor que me consome.
Escuta e surge, do Oceano em nome.
Peço-te, ninfa, em nome de Nereu
Taciturno e de Tétis majestosa
E em nome das malícias de Proteu.
De Tritão pela concha sinuosa,
De Glauco pelas suas profecias,
De Leucotéia pelas mãos macias etc.

Armstrong, o poeta da "Arte de conservar a saúde", sob a inspiração de Higéia, deusa da saúde, assim celebra as náiades:

A caminho da fonte vinde, Náiades!
Donzelas venturosas! Vossas prendas
Exaltar e cantar cumpre-me agora
(Assim Péon ordena, assim ordenam
Da saúde os princípios poderosos)
Exaltar vossas águas cristalinas,
Ó regatos gentis! Em vosso seio
Vida nova se bebe, quando matam
A sede as mãos em concha e os lábios secos.

Péon é um nome pelo qual são chamados tanto Apolo como Esculápio.

sábado, 3 de novembro de 2012

Vodyanoi



É um espírito masculino da água ou duende folclórico em contos tchecos, semelhante ao Wassermann  ou Nix do folclore alemão. Aparece como um velho nu com uma barba esverdeada e cabelo comprido, o corpo coberto de algas e limo, geralmente com escamas negras de peixe. Tem patas membranosas no lugar de mãos, cauda de peixe e olhos que queimam como carvão em brasa. Às vezes se parece com um grande peixe, em outras ocasiões com uma enorme rã, do tamanho de uma foca e com face humana. Geralmente monta em um tronco semi-afundado, chapinhando de forma ruidosa. Pode arrastar pessoas para a sua morada subaquática, decorada com tesouros de navios afundados, para que os sirvam como escravos, dando-lhes a capacidade de respirara na água.
   Quando zangado, o vodyanoi rompe represas, arruina moinhos 'água, afoga pessoas e animais. Pescadores, moleiros e apicultores fazem sacrifícios para apaziguá-lo. Os pescadores pedem ajuda ao vodyanoi colocando uma pitada de tabaco na água e dizendo "Eis aqui seu tabaco, senhor vodyanoi, agora dê-me um peixe."
   Nos contos tchecos, os afogados morrem e o Vodník guarda suas almas em taças de porcelana que eles consideram valiosas. Seus únicos servos são peixes. Os Vodnici vivem em lagos e rios e não há menção de uma habitação especial.

Glastig


      Na forma de uma bela mulher, a glastig é um ser encantado da água que atrai os homens para dançar e depois suga seu sangue, pois é um tipo de vampiro. Sua metade de baixo é de cabra e ela usa um esvoaçante e longo vestido verde para esconder isso de suas vítimas. Apesar de sua natureza aparentemente cruel, a glastig pode ser boa e gentil.

Asrai e outros elementais da água

Pequenos e delicados seres da água que, se capturados à luz do dia, transformam-se em poças d'água.


Selkies - Uma variação de nossa Iara e nosso boto, são seres encantados da água  na forma de focas. As fêmeas podem deixar sua pele de foca e passear pela cidade, mas se alguém encontrar sua pele, ela é obrigada a ser uma boa esposa, embora triste. Se ela um dia recuperar sua pele, no entanto, voltará alegremente para a água e seu marido definhará até a morte. Os machos selkies provocam tempestades e viram navios par vingar a morte cruel das focas.

Each-uisge - Também chamado ech-oosh-kya e aughisky, é mais perigoso que o kelpie, pois é inofensivo quando está em terra, mas assim que avista a água, salta com seu viajante desavisado dentro dela e o devora por completo, deixando apenas o fígado.

Urish- habita as lagoas da Escócia e gosta da companhia humana, mas sua aparência estranha faz com que os humanos fujam dele. Ele possui patas de cabra e orelhas pontudas, como um sátiro, mas com ar bucólico.

Iara - Na forma de uma bela mulher que fica à beira dos rios, atraindo com sua bela voz homens incautos. Ela pode aparecer como uma sereia e tem sempre cabelos longos e escuros que vive a pentear. Ela toma conta dos rios e da água doce, mas há de se ter cuidado, pois seu encanto atrai pessoas para afogá-las.